Viol√£o cl√°ssico e viol√£o popular

No senso comum, viol√£o cl√°ssico √© o viol√£o solado e o viol√£o popular √© o viol√£o acompanhador. Isso √© o que se responde quando algu√©m chega numa escola de m√ļsica e ao ser questionado se quer estudar viol√£o cl√°ssico ou popular, pergunta qual a diferen√ßa.

Normalmente eu mostro na pratica, toco Yesterday ( Lennon/McCartney ) solado , (viol√£o cl√°ssico) e depois ‚Äúcanto‚ÄĚ Yesterday acompanhando no viol√£o ( viol√£o popular ). Normalmente as d√ļvidas se encerram a√≠; em 99% dos casos os futuros alunos preferem o viol√£o solado ( cl√°ssico), mas a principio com n√≠tida prefer√™ncia por solos de m√ļsica popular.

Tenho pra mim que o termo cl√°ssico tr√°s embutido um conceito de, classicamente consagrado no √Ęmbito do gosto e no reconhecimento do seu valor art√≠stico no caso de se tratar de m√ļsica.

Ouvimos com freq√ľ√™ncia que Carinhoso de Pixinguinha √© um cl√°ssico da m√ļsica popular brasileira, assim como Odeon ,de Ernesto Nazareth ou Asa Branca de Luiz Gonzaga. Isso mostra que independentemente de g√™nero, algo que tenha seu valor incontest√°vel pelo gosto popular √© um cl√°ssico.

Indo um pouco mais a fundo no conceito de violonista cl√°ssico e violonista popular, tenho a vis√£o de que a classifica√ß√£o passa mais pela abordagem em rela√ß√£o a m√ļsica do que propriamente pelo g√™nero .

O estudo da m√ļsica por partituras, ou ‚Äúpor m√ļsica‚ÄĚ como se diz corriqueiramente, leva o estudante de viol√£o cl√°ssico a conhecer um amplo repert√≥rio da hist√≥ria musical de seu instrumento, o que o leva paralelamente a desenvolver, instintivamente e/ou academicamente um entendimento da est√©tica musical, e da t√©cnica apropriada para a execu√ß√£o das obras, t√©cnica essa que come√ßa pelo refinamento sonoro , e que conseq√ľentemente o levar√° a uma interpreta√ß√£o mais voltada para a origem da obra, do que o compositor ou o estilo da √©poca lhe diz.

O violonista popular via de regra tem uma abordagem da obra, mais atemporal, mais livre, com interferências pessoais que embora possam, não raro dependendo do nível do artista, enriquecer a obra , podem também não expressar a vontade do compositor.

Uma outra coisa, tocar por m√ļsica ( lendo partitura ) n√£o faz de ningu√©m um violonista cl√°ssico, √© preciso estar imbu√≠do dos elementos inerentes a boa interpreta√ß√£o, come√ßando pela quest√£o sonora, pois sem o dom√≠nio do som nas suas vari√°veis n√£o √© poss√≠vel se considerar um violonista cl√°ssico; e o viol√£o √© impressionantemente exigente nesse quesito. Importante tamb√©m √© ter a clara no√ß√£o at√© onde se deve ter inger√™ncia de car√°ter pessoal na obra, Concerto √© uma coisa, Show √© outra; n√£o fazendo, √© claro, nenhum ju√≠zo de valor.

O violonista clássico tem por força de sua formação uma abordagem mais ao estilo documentarista/ficcional, ao passo que o violonista popular é ficcional/documentarista.

Sintetizando; o que digo aos meus alunos é que procurem ter o refinamento do clássico, a atitude do roqueiro e a alegria do popular.

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